“XUTAR” COM ELES

Música, Para reflectir, Videos por himem @ 10:35 |
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Canção dos Xutos usada como manifesto contra o governo.

Confere:

A canção…

A letra…

A notícia…

SEM EIRA NEM BEIRA

Anda tudo do avesso
Nesta rua que atravess
Dão milhões a que os tem
Aos outros um passou-bem

Não consigo perceber
Quem é que nos quer tramar
Enganar/Despedir
E ainda se ficam a rir
Eu quero acreditar
Que esta merda vai mudar
E espero vir a ter
Uma vida bem melhor

Mas se eu nada fizer
Isto nunca vai mudar
Conseguir/Encontrar
Mais força para lutar…

(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a comer

É difícil ser honesto
É difícil de engolir
Quem não tem nada vai preso
Quem tem muito fica a rir
Qinad espero ver alguém
Assumir que já andou
A roubar/A enganar
O povo que acreditou

Conseguir encontrar mais força
Para lutar
Mais força para lutar
Conseguir encontrar mais força
Para lutar
Mais força para lutar…

(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a foder

Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Mas eu sou um homem honesto
Só errei na profissão

A notícia:

Quem conhecer a discografia dos Xutos & Pontapés sabe que o cariz de intervenção e alerta social marcaram sempre presença nas letras das músicas. Mas os membros desta banda nunca quiseram vestir a roupagem de “líderes de uma revolução política”, nem apoiam, enquanto colectivo, qualquer partido político, assegura Zé Pedro, guitarrista dos Xutos. Por isso, é com alguma surpresa que o grupo assiste à euforia em torno da canção “Sem eira nem beira”, que integra o novíssimo álbum Xutos & Pontapés, disco de originais que foi lançado na passada semana.

Interpretar esta faixa, cantada pelo baterista Kalu, como um hino contra as políticas do Governo socialista é “deturpar” a intenção do grupo. “Não há aqui alvos a abater”, diz, em resposta ao facto de o refrão começar com a frase Senhor engenheiro, dê-me um pouco de atenção. “Não queremos fazer um ataque político a ninguém. A letra exprime mais um grito de revolta. E é um alerta para o estado da Justiça e para uma classe política em geral que, volta e meia, toma atitudes que deixam os cidadãos desamparados”, justifica.

O grupo não poderia prever o impacto desta faixa do disco que celebra os 30 anos de carreira do colectivo e que será apresentado pela primeira vez ao vivo a 24 de Abril, no Seixal. Neste contexto, Zé Pedro insiste que qualquer aproveitamento da música para criticar e contestar o Governo não receberá a “solidariedade” dos Xutos.

Zé Pedro, que, diz, até “simpatiza” com o primeiro-ministro José Sócrates, aponta ainda que quando Tim, o vocalista, escreveu o texto para a música de Kalu, tiveram de optar entre “senhor engenheiro” e “senhor doutor”: “Optámos por engenheiro por causa do actual primeiro-ministro, mas nunca quisemos fazer um ataque político directo.”

Tim escreveu a letra de Sem eira nem beira já em estúdio, conta Zé Pedro, e “em cima da hora”. “Falámos que seria interessante trabalhar uma temática de intervenção e com alguma rebeldia, porque a música é do Kalu e seria ele a cantá-la”, afirma.

Vídeos no YouTube

O guitarrista dos Xutos não viu o vídeo transmitido no Jornal Nacional da TVI, no passado fim-de-semana – imagens de José Sócrates em inaugurações e na Assembleia da República, tendo em fundo a música Sem eira nem beira. Mas Zé Pedro não tem dúvidas de que a ideia da TVI foi uma “deturpação” das “intenções” dos Xutos.

Depois da iniciativa da TVI já surgiram mais duas montagens em vídeo no YouTube: ambas utilizam a música dos Xutos e são ilustradas com Sócrates e vários membros do Governo; há imagens das manifestações dos professores, dos protestos dos alunos, do centro comercial Freeport, Manuel Alegre em versão “gato das botas” e um cartaz do filme Os Intocáveis com as personagens Sócrates, Isaltino Morais, Dias Loureiro e Fátima Felgueiras.

Os comentários, laudatórios, partilham a leitura política: “Esta música tem um destino: J. Sócrates”; “é nosso dever exigir políticos sérios e competentes”; “é uma música para puxar pelo povo, para ‘dar força para lutar'”; “a letra retrata muito bem a nossa actual situação”.

Sócrates não reage

O Gabinete do primeiro-ministro José Sócrates, através do assessor de imprensa Luís Bernardo, disse que nada havia a comentar. Também o PSD não comentou o assunto.
Já o PCP não considera que haja nenhuma situação especial em relação a este tema dos Xutos. O assessor de imprensa, António Rodrigues, declarou ao PÚBLICO: “Quanto à música, não queremos fazer termos de comparação, embora, na nossa opinião, nestes 30 anos, os Xutos tenham tido, além da qualidade de ordem estética, temas com preocupações sociais, cremos que esta música se insere nesses temas.”

Mas não excluem poderem vir a usar esta música nas campanhas eleitorais que se aproximam. “Não há ponderação ainda feita sobre que músicas vamos usar, logo também não sobre esta em concreto”, disse.

O líder do BE, Francisco Louçã, começou por comentar ao PÚBLICO que não só conhece a música como viu, “ao vivo, a música a ser apresentada, no concerto de aniversário dos Xutos”. Mas também o BE não decidiu ainda sobre que músicas utilizará de campanha. Fazendo o paralelo em relação a outras músicas que foram vistas como contra o sistema, caso do FMI de José Mário Branco ou do Talvez… de Pedro Abrunhosa, Louçã considera que se trata de “momentos diferentes, que marcaram tempos diferentes”. Particularmente, sobre este tema dos Xutos, Louçã considera que ele “revela um certo cansaço de uma certa geração com uma certa forma de governar” e conclui: “É um manifesto do Xutos. Provavelmente entrará depressa na iconografia popular. Admito que seja uma palavra de ordem de grandes manifestações, mas não creio que os partidos vão usar.”

Por sua vez, o CDS relativiza o impacto político específico que a música possa ter. Diogo Feio começou por salvaguardar que não conhece a música: “Não ouvi, mas já ouvi falar da música”. E afirma que, para o CDS, a liberdade artística é um valor por si: “Os autores muitas vezes utilizam imagens de crítica social e política de acordo até com as suas ideologias, e as músicas ficam com quem as faz”, afirmou Diogo Feio. “A liberdade artística tem de ser respeitada e as pessoas que ouvem analisam e aderem ou não aderem. Há músicas mais críticas, outras menos, e de tempos a tempos surgem músicas assim.”

fonte: publico.pt


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Tema por: N.Design Studio. Editado e traduzido por Katiero.
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