A senhora BIC Laranja e o senhor BIC Cristal

Recordar é Viver por creedless @ 11:41 |
1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas (Sem votos)
Loading...
Adicionar comentários
Imprimir Imprimir Enviar Enviar

Na década de 70, Maria Helena Wolmar e Paulo Alexandre deram voz ao reclame mais nostálgico da marca que faz 60 anos.

“Ai que engraçado, ainda ontem estive a beber café com o Paulo Alexandre, que gravou o anúncio comigo, e estivemos a falar disso!” Maria Helena Wolmar, de “60 e alguns anos”, e uma gargalhada sonora, é a voz que no final da década de 70 cantava “BIC Laranja, escrita fina”, parte do anúncio das esferográficas BIC que ficou na memória de todos os portugueses. Este ano, o modelo mais emblemático da marca, a BIC Cristal, faz 60 anos, 54 em Portugal.

Se o leitor tiver menos de 30 anos, é possível que não se lembre do reclame. Nada que uma viagem ao YouTube não resolva, ainda que Maria Helena e Paulo garantam que a versão a circular na internet não é a que gravaram e que passou na televisão na altura.

Numa folha de papel branco, duas esferográficas – a BIC Laranja e a BIC Cristal – entrecruzam-se numa dança de riscos ao som de uma música que ainda hoje muito saudosista sabe cantar e que repetia 22 vezes a marca da caneta.

O anúncio – o jingle foi criado em França pela agência Cabernet e depois traduzido para várias línguas – foi gravado nos estúdios da Nacional Filmes, através da produtora Telecine, já lá vão mais de 30 anos. O arranjo musical ficou a cargo de Alberto Nunes, técnico de som.

“Demorámos meia hora a gravar”, conta Maria Helena. Paulo Alexandre, a voz de “BIC Cristal, escrita normal”, confirma: “Achámos o jingle tão engraçado e aquilo entrou tão bem em nós que ficou logo feito. Até perguntámos ao Alberto se ele não queria que repetíssemos mas ele disse ”não, é impossível ficar melhor do que o que está”. E ficou assim.”

“Toda a gente dizia que era um anúncio muito engraçado”, recorda Maria Helena. Paulo Jorge vai mais longe: “Foi extraordinário o impacto na altura. Toda a gente cantava e todos conheciam.”

Força nas canetas Como dupla gravaram vários anúncios e muitos outros em separado. Maria Helena Wolmar trabalhava como administrativa numa empresa “que não tinha nada a ver com isto”. Acabou por desistir do emprego para se dedicar à voz, tal era o número de solicitações.

Quando perguntamos pelos anúncios que já fez deixa escapar um “ai filha, já não me lembro, ainda no outro dia deitei fora três dossiês enormes com os spots que fiz”. De repente a memória aviva-se e recorda uma vida de publicidade, desde os tempos em que ganhava cem escudos para gravar os anúncios dos sabonetes Lux, Caldos Knorr e detergente Omo, até ao Martini, pasta dentrífica Ultrabright (que aproveita para trautear) ou Bombocas “coisa doce, tão fofinha”.

Mas o ponto alto da sua carreira, diz, foi ter pertencido aos Parodiantes de Lisboa durante mais de 20 anos. “Era uma equipa fantástica, foram anos muito bons.”

Maria Helena continua activa na gravação de publicidade, mas refere: “Agora só gravo coisas assim mais para a minha idade. Se Deus quiser sexta-feira vou gravar para a Vileda. Também fiz coisas para a Actimel e coisas assim de saúde e bem-estar.”

Paulo Alexandre, que é também compositor e autor da música mais cantada pelos entusiastas dos brindes populares, “Verde Vinho”, era homem de muitos ofícios. Locutor, produtor, cantor, músico e bancário.

Hoje, e ao contrário de Maria Helena, está “afastado do meio”. “Não é que eu não queira, mas agora os jovens que trabalham nisso não sabem que eu existo.”

Pela voz forte não conseguimos adivinhar-lhe a idade. É preciso perguntar. A resposta vem orgulhosa: “Tenho a honra de lhe dizer que fiz hoje 80 anos.”

in ionline.pt
Gostas? Partilha!

Comentários estão fechados.

quecenafixe.sitesforge.com
Tema por: N.Design Studio. Editado e traduzido por Katiero.
Feeds RSS Registar Iniciar sessão