Crime à portuguesa. O melhor dos piores crimes de 2010

Aconteceu mesmo por creedless @ 11:38 |
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O crime tem destas coisas: nem sempre corre bem. Mas, às vezes, os criminosos põem-se a jeito. Na história do crime à portuguesa, 2010 é o ano em que ladrões sem carta de condução arriscam roubar ambulâncias, condutores de burros embriagados são condenados, assaltantes azarados abordam polícias à civil ou roubam farmácias sem dizer uma única palavra.

1. Proença-a-Velha. A estranha história de Jaime do Ó

Jaime do Ó não era uma figura popular na aldeia de Proença- a-Velha. Os vizinhos acusavam-no, por exemplo, de roubar animais, que depois violava. Na noite de 19 de Setembro foi encontrado moribundo, em roupa interior e com sandálias de mulher, à porta de casa, depois de ter sido atingido com dois golpes de um objecto redondo e metálico no peito e no ânus. Morreu a caminho do hospital.

Em tempos, Jaime violou uma idosa com 90 anos e foi parar à prisão. Quando saiu, arranjou trabalho em Lisboa como coveiro. Mas regressou à terra natal e, com o tempo, ganhou a alcunha de “Jaime Ovelha” – por causa da fama de violar animais.

Aos 68 anos, vivia sozinho, sem electricidade e os vizinhos chegaram a apresentar queixa às autoridades por alegados furtos. As violações de animais seriam recorrentes desde a infância e os comportamentos de Jaime – que chegou a ser apanhado dentro de um galinheiro de um vizinho – foram várias vezes debatidos na assembleia de freguesia. Alguns vizinhos terão até optado por acabar com a criação de galinhas, devido aos furtos constantes dos animais. Chegou a suspeitar- -se de uma rixa popular, mas afinal foi o dono de um burro violado – um reformado de 50 anos – quem matou Jaime do Ó.

 

2. Rei Ghob. O profeta suspeito de triplo homicídio

Os corpos nunca apareceram, mas Francisco Leitão, 41 anos, está em prisão preventiva e é suspeito de ter assassinado três jovens na Lourinhã. O Chico do Avião, como era conhecido na zona, intitulava-se, nas dezenas de vídeos que publicava na internet, Rei Ghob, filho de Satanás, com poderes sobrenaturais e governante de uma nova era que está para chegar.

 Num dos vídeos, anuncia o fim do mundo para 21 de Dezembro de 2012, acompanhado por dois dos seus discípulos. O Rei Ghob, sucateiro de profissão, transformou a casa onde morava, no lugar de Carqueja, numa espécie de castelo, com câmaras de vigilância instaladas por toda a parte, santos, estátuas, gnomos, ecrãs gigantes, cabeças de animais, montes de entulho e um espaço para a criação de porcos.

 Para a PJ, é suspeito de ter morto Tânia Ramos, Ivo Delgado e Joana Correia, todos com cerca de 20 anos. Com Ivo terá mantido uma relação. Já as raparigas terão sido suas rivais. Detido em Julho, não confessa os crimes, diz-se inocente, tem-se mantido em silêncio e a primeira coisa que fez quando chegou à cadeia foi pedir uma televisão. Sabe-se que acompanha, com grande interesse, todas as notícias publicadas a seu respeito.

3. Ladrão Mudo. Assaltou seis farmácias sempre sem falar

Sem dizer uma única palavra e sem recorrer a qualquer arma, conseguiu assaltar, com sucesso, seis farmácias – todas na zona do Grande Porto. O homem, de 37 anos, entrava nos estabelecimentos, apresentava-se ao funcionário e entregava-lhe um papel com uma mensagem ameaçadora em que dizia que tinha uma arma e exigia dinheiro – daí a alcunha de Ladrão Mudo.

 Apesar de nunca estar armado, o homem mantinha a mão direita atrás das costas, para que os funcionários acreditassem que estava na posse de uma arma de fogo. Mas à sétima vez, na farmácia de Gemunde, na Maia, o funcionário não acreditou. E, com calma, disse-lhe apenas que ia chamar a GNR. Foi quanto bastou para que o Ladrão Mudo desatasse a fugir. À porta, esperava-o, como sempre, uma mulher – fotógrafa de 39 anos – que o ajudava nas fugas, ao volante de um Renault Clio.

O ladrão, toxicodependente, actuou sempre entre as 14 e as 18 horas e nunca prescindiu de usar óculos escuros. Só foi traído pelas imagens capturadas pelas câmaras de vigilância da sétima farmácia. Foi detido, em Agosto, em Leça do Balio (Matosinhos), perto de casa, juntamente com a cúmplice – que, afinal, era a namorada. A PJ já os tinha identificado há algum tempo, mas manteve-os sob vigilância. 

4. Roubo de ambulância. Ladrão não tinha carta

Um arrumador de carros de Braga entrou, há um mês, no quartel dos bombeiros sapadores da cidade, por volta das 20h30, e roubou uma das ambulâncias estacionadas – que normalmente têm as portas destrancadas e as chaves na ignição para facilitar a saída, caso seja
necessário responder a alguma emergência.

Os bombeiros que estavam de serviço só se aperceberam do roubo quando a ambulância embateu contra o portão do quartel. A seguir, sentado ao volante da viatura, o arrumador tomou o sentido do centro de Braga e entrou em contramão na rua do Carmo, onde acabou por bater contra dois carros estacionados. Ainda tentou fugir a pé, mas foi apanhado, poucos minutos depois de ter saído do quartel. Apesar de curto, o incidente causou algum alarido na corporação e levou a uma verdadeira perseguição à ambulância, por parte dos bombeiros de serviço.

 “Estava transtornado, parecia que não sabia o que fazia nem o que dizia, mas mesmo assim conseguiu roubar a ambulância”, contou ao “Jornal de Notícias” uma testemunha que não se quis identificar. A história não teve um final feliz para a ambulância e para os dois carros estacionados na rua – que acabaram amolgados. O homem, toxicodependente, não tem carta de condução.

5. Cavalo por vaca. Matadouro fazia rituais quando matava animais

O matadouro ilegal funcionava num terreno da Santa Casa da Misericórdia de Loures e foi desmantelado em Setembro. Quando a ASAE chegou, por volta das 9h30 do dia 25, vários clientes já faziam fila para comprar carne.

 Só que este não era um matadouro qualquer. As carcaças dos animais eram atiradas para um terreno perto da A8, em frente ao Loures Shopping, ou para uma ribeira. Outras eram enterradas. Mas segundo o “Correio da Manhã”, o matadouro tinha outra particularidade bem mais estranha. Além de vender carne, permitia que os clientes, no momento do abate dos animais, pagassem para ver realizados rituais de sacrifício, “em que não faltavam as rezas”.

 E há mais: quem só se dirigia ao local para se abastecer de carne era geralmente enganado. É que em vez de carne de vaca, por exemplo, os clientes levavam, sem saberem, carne de cavalo. As autoridades encontraram nas instalações dez cavalos, 20 cabras e 40 porcos, patos, galinhas e leitões, que retiraram do local. O proprietário do espaço pôs-se em fuga, mas foi constituído arguido, juntamente com um empregado. Os animais eram inanimados com marretadas na cabeça e só depois mortos à facada, sem condições de higiene e segurança, considerou a ASAE. 

6. Ladrão azarado. Assaltou polícias à civil no dia de Natal

Estava a gozar uma saída precária da prisão, mas voltou a ser preso, no dia de Natal, em Matosinhos, depois de ter tentado roubar um carro. Só que o assaltante, um homem de 28 anos, teve azar. A tentativa de roubo aconteceu na Rua de Goa, num parque de estacionamento onde costumam ficar carros apreendidos pela PSP e algumas viaturas de agentes que trabalham numa esquadra próxima.

 Por volta das 6h30, dois polícias terminaram os turnos, combinaram seguir no mesmo carro para casa, despiram as fardas e, já à civil, dirigiram-se para o parque de estacionamento. Assim que um dos agentes entrou para o carro, apareceu o ladrão – com uma mão no bolso, dizendo que trazia uma arma e ameaçando-o com um tiro, caso não lhe entregasse o veículo. Mas o outro agente da PSP – que estava prestes a entrar para o lugar do pendura – surpreendeu o ladrão pelas costas com a arma de serviço. E identificou-se como polícia.

 Entretanto, chegaram outros agentes, vindos da esquadra, que fica a poucos metros de distância. No meio do alvoroço, o assaltante caiu e ficou ferido. Foi hospitalizado, mas nem assim se livrou de ser presente ao juiz, pouco tempo depois, no tribunal de Matosinhos. Regressou à cadeia onde cumpria pena e de onde só tinha saído para passar o Natal com a família.

7. Gangue do multibanco. Retroescavadora destrói casas

O método é fácil de explicar. Primeiro, é preciso roubar uma retroescavadora, com que se extrai a caixa multibanco da parede. A seguir, preferencialmente com a pá da máquina, deposita-se o ATM numa carrinha roubada. Depois, é só fugir. Em Janeiro, o gangue roubou uma retroescavadora no centro de jardinagem Jardimpina, perto de Lagoa, e assaltou uma caixa multibanco a alguns metros de distância, numa agência do banco Barclays.

 Não foi o primeiro assalto do género, nem seria o último. Em Fevereiro, o mesmo grupo atacou um multibanco instalado na parede do supermercado Alisuper na Galé. Em Maio, outro assalto, desta vez numa bomba de gasolina em Albufeira.

Em Outubro, o gangue da retroescavadora voltou a atacar na vila de Santiago, em Odemira, por volta das quatro da manhã. Os vizinhos ouviram o barulho, mas pensaram que era o camião do lixo. Em Novembro, novo assalto, desta vez numa área de serviço da A22, no sentido Albufeira-Portimão. No mesmo mês, o gangue tentou roubar um ATM num prédio em Loulé, mas falhou o alvo e só atingiu a fachada, destruindo-a. Já este mês, o grupo destruiu uma casa inteira para levar a máquina instalada na fachada da Associação de Caçadores e Pescadores de Oriola, em Portel.

8. Sem-abrigo. Espancados por terem sexo na rua

Um casal de sem-abrigo decidiu fazer sexo na Rua de Santa Catarina, uma das mais movimentadas do Porto, por volta das três da tarde, e acabou espancado por um grupo de pessoas indignadas com o comportamento dos jovens.

 A cena de pancadaria foi filmada e o vídeo foi parar à internet. Além de ficar disponível no YouTube, chegou a circular pelas redes sociais. Segundo contou o “Correio da Manhã” em Novembro, o casal já estava seminu quando foi chamado à atenção por uma mulher que estava na rua com um filho menor. Em vez de se vestir, o casal terá tentado enfrentar a mulher, que terá sido defendida por várias pessoas que passavam pelo local.

 A confusão só terminou quando os jovens resolveram fugir, depois de a PSP ter sido chamada. “Chamámos a polícia, mas eles já tinham fugido. Tiveram medo de levar mais porrada. Foi uma vergonha fazerem sexo numa rua como esta, onde passam centenas de famílias com crianças”, explicou ao “Correio da Manhã” Fernanda Silva, vendedora ambulante. “Estava a trabalhar na pastelaria quando me apercebi da confusão. Estavam bêbedos no chão e pegaram num pau como se fossem bater em alguém. Foi quando começou a pancadaria“, acrescentou Ana Martins, funcionária da pastelaria Império.

9.  Negócio falhado. Nem dinheiro falso, nem dinheiro a sério

 O negócio estava acertado. Seis homens e uma mulher, com idades entre os 23 e os 65 anos, encontraram-se para fazer, segundo a Polícia Judiciária (PJ), “uma transacção de uma importante quantia em notas falsas”. Só que à hora marcada, nem os vendedores traziam as notas contrafeitas, nem os compradores tinham trazido o dinheiro para as comprar. Quem também fez questão de marcar presença no encontro foram os agentes da PJ, que identificaram o grupo no momento exacto em que a transacção ia começar.

 O caso aconteceu no início deste mês na zona de Viseu e acabou com a detenção de um homem de 23 anos e de uma mulher de 30, além da identificação dos restantes cinco elementos presentes no local, mas por posse ilegal de armas – uma vez que não havia dinheiro falso, nem acabaria por ser concretizado qualquer tipo de negócio.

 Segundo fonte da Judiciária da Guarda, que se ocupou do caso, a intenção dos vendedores – que levaram para o encontro uma mala cheia de bocados de papel de jornal e de madeira – seria, somente, “apropriarem-se do preço previamente combinado, se necessário com recurso à violência”. Igualmente dispostos a partir para a agressão estariam os compradores, que desejavam apropriar-se indevidamente do dinheiro falso. 

10. Condutor de burro. Condenado por conduzir bêbedo

  “Posso deixar de conduzir o burro, mas o vinho não deixo”, disse ao “Correio da Manhã” um agricultor de Celorico da Beira, depois de ter sido detido, em Agosto, pela GNR. Jorge Rodrigues, 34 anos, foi apanhado pelos militares a conduzir um burro com uma carroça atrelada enquanto estava bêbedo.

Depois de ter soprado no balão e acusado uma taxa de álcool de 3,26 gramas por litro de sangue, o homem teve de amarrar o burro a uma árvore e acompanhar os militares ao posto da GNR. A seguir, foi posto em liberdade e voltou para casa, para junto da mulher, Conceição, de 54 anos, até ser julgado. Quando foi presente ao juiz, em Setembro, Jorge ainda soltou um desabafo: “Se for para a cadeia, bebo-lhes o vinho todo.” Mesmo assim, o tribunal não se compadeceu e obrigou-o a pagar uma multa de 250 euros.

Além disso, o agricultor de Celorico ficou proibido de conduzir veículos a motor durante quatro meses e recebeu duas coimas, por contra-ordenações ao Código da Estrada. Uma por não trazer iluminação na carroça, outra por conduzir fora de mão. Por não ter dinheiro, Jorge Rodrigues vai fazer trabalho a favor da comunidade. No final da leitura da sentença, contou que estava aberto a todo o tipo de  trabalho. “Menos no cemitério”, avisou. 

Fonte: Jornal i

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Tema por: N.Design Studio. Editado e traduzido por Katiero.
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